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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Última carta de um soldado morto

Minha muito querida Stella,
                          Tudo indica que atacaremos novamente dentro de alguns dias -- talvez amanhã. Diante da possibilidade de nunca mais poder lhe escrever, sinto-me impelido a traçar linhas que podem chegar aos seus olhos quando eu já tiver partido.
                          Stella, meu amor por você é imortal, ele parece nos ligar por meio de amarras poderosas que somente Deus poderia romper. Se eu não retornar, minha querida Stella, jamais se esqueça do quanto eu te amo e, quando o último suspiro deixar meu corpo no campo de batalha, ele sussurrará seu nome.
                          Mas Stella! Se os mortos puderem voltar à esta terra e se moverem invisíveis por entre aqueles que amaram, eu estarei sempre ao seu lado; no dia mais brilhante e na noite mais escura -- entre seus momentos mais alegres e suas horas mais tristes --, sempre, sempre. E se uma brisa suave acariciar seu rosto, ela será meu hálito; se um vento gelado aliviar sua têmpora latejante, será meu espírito a passar.

Tirado do Livro "A Mão Esquerda de Deus" de Paul Hoffman

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