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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quimera


   Acordo e, amedrontado, agarro-me aos lençóis como se estivesse à beira do Abismo, estendendo a mão ao vazio para segurar alguém que não está lá. O absurdo se curva para dentro, dentro de mim, as cenas vívidas do abstrato ainda fixas no fundo da retina...

"Quimera
[Do gr. chímaira, pelo lat. chimaera.] 
Substantivo feminino. 

1.
Monstro fabuloso, com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de drao
.[...]"
   

   O monstro ainda está rugindo, movendo sua cauda cheia de espinhos. Fulminando-me com o olhar. Os olhos dilatados, na completa escuridão, buscando quem... ?! Quem?! Alguém! Que teria caído no abismo.
  Olho pro chão branco, à ínfima distância de onde estou, procurando um buraco fundo o suficiente para que alguém tivesse caído... Lá está... Nada. Vazio.

"[...] 2.Fig. Produto da imaginaçãofantasia, utopiasonho
as quimeras do amor;

Mas a Arte, o lar, um filho, Antônio? Embora! / Quimeras, sonhos, bolas de sabão.” (Antônio Nobre, , p.  134). [...]"
 

   

   Um prazer, uma dor... Maravilhosamente belo, que horror!!! Desaparecera, evanescera, tão rápido como surgira. Uma fantasia vazia, uma utopia abstrata, simplesmente um sonho, que estoura como uma bolha de sabão. E todo o prazer que fora substituído pelo terror se derrete... Nada mais que uma memória, uma lembrança inconcreta. O abismo se fecha, nas batidas sóbrias e abafadas de uma caixa vermelha. Uma voz angustiada canta, arrasta-me de volta pro sono.

" [...] 3.Incoerência, incongruência, absurdo."
   I'm safe. Estou seguro... Up High. Aqui em cima... Nothing can touch me. Nada pode me atingir... But why do I feel this party's over? Mas por que a festa acabou..? No pain. Não sinto dor... Inside. Aqui dentro... You are my protection. Você é a minha proteção...

                                                                        
...absurdo.
                                                                                  Surdo... Não ouço sua voz... 
Voz... Nós.

   Foi fruto de incoerência de um sonho... um terror... horror. Como se houvesse para sempre desaparecido.

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