Acordo e, amedrontado, agarro-me aos lençóis como se estivesse à beira do Abismo, estendendo a mão ao vazio para segurar alguém que não está lá. O absurdo se curva para dentro, dentro de mim, as cenas vívidas do abstrato ainda fixas no fundo da retina...
"Quimera
[Do gr. chímaira, pelo lat. chimaera.]
Substantivo feminino.
1.Monstro fabuloso, com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão.[...]"
O monstro ainda está rugindo, movendo sua cauda cheia de espinhos. Fulminando-me com o olhar. Os olhos dilatados, na completa escuridão, buscando quem... ?! Quem?! Alguém! Que teria caído no abismo.
Olho pro chão branco, à ínfima distância de onde estou, procurando um buraco fundo o suficiente para que alguém tivesse caído... Lá está... Nada. Vazio.
as quimeras do amor; “Mas a Arte, o lar, um filho, Antônio? Embora! / Quimeras, sonhos, bolas de sabão.” (Antônio Nobre, Só, p. 134). [...]" Um prazer, uma dor... Maravilhosamente belo, que horror!!! Desaparecera, evanescera, tão rápido como surgira. Uma fantasia vazia, uma utopia abstrata, simplesmente um sonho, que estoura como uma bolha de sabão. E todo o prazer que fora substituído pelo terror se derrete... Nada mais que uma memória, uma lembrança inconcreta. O abismo se fecha, nas batidas sóbrias e abafadas de uma caixa vermelha. Uma voz angustiada canta, arrasta-me de volta pro sono.
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