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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Desejo Fotografado

   Uma gota desce por seu corpo.
   Do seu corpo.
   Um filete de desejo líquido.
   Eternizado numa fotografia.

   Seu olhar congelado não é nada gélido. É um brilho intenso que a derrete. Um modo discreto de incitar prazeres insanos. Um modo selvagem de simplificar prazeres complexos. Memórias e ideias sem nexo, sem controle, sem fim. Enfim pervertidas em marcas de fúria na pele, a fúria que só a luxúria produz; aquelas marcas de doloroso prazer, gravadas a pedir por mais.
   Seus lábios vertem som, num tom de silêncio e gemido que é quase um pecado musical. E perdão. Afinal, não há como algo tão bom ser completamente mal. Pois vêm dos mesmos lábios que pervertem paixão em fumaça, álcool e saliva. Tornando viva a cor escarlate escondida sob a cor da pele. Mostram brancos os dentes que mordem à roxidão a carne macia do corpo. E sofro pela sedenta abstinência, amargando na ausência o doce gosto de quem espera por mais. Muito mais. 

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