quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Crônica de Fim de Tarde
Se encontravam há mais de seis meses, sempre no mesmo local. Revezavam-se em chegar primeiro, ora ele, ora ela. Pediam um café expresso e se encolhiam numa mesa de canto, até que o outro chegasse. Dividiam um café e uma história, ambos sem graça, conversavam sobre os dias e as noites.
Ele insistia em acompanhá-la durante as aulas de arte, sentava-se num canto, quieto e lia um livro ou jornal, enquanto assistia a jovem esculpir vasos ou pintar telas. Ela o convidava para jantares humildes, um sessão de cinema, um beijo no estacionamento.
Assim, pouco a pouco tornavam-se íntimos, mas como a ruiva cantou um dia - não se deve construir castelos sobre nuvens. Um dia ele sentou numa mesa de canto, agasalhado com um casaco que ainda tinha o cheiro dela, pediu um café e esperou. E o café esfriou. E o dólar ficou sob a xícara ainda cheia. E os passos foram-se sozinhos sobre a neve. E a mensagem no celular dizia adeus.
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