O álcool me desce pela garganta com um sabor doce e amargo. Uma porção de uma poção um tanto quanto alucinógena. Um licor dourado, gelado e espumante. Embaçando algumas janelas na minha cabeça, revelando outras, quebrando alguns muros.
A batida hipnótica da bebida no meu sangue vai mesclando meus pensamentos e meus sentimentos, me tirando de perto e de longe a noção do que é racional. Me tornando nada mais que um animal cujo uivo atordoado se prolonga por frases escritas.
A percepção nublada que me abre os olhos tem um clima Hemingwaydiano ou Shakesperiano. Uma reflexão rítmica aqui nesse quarto escuro. Desenvolvendo uma catálise ou uma catarse, sem que eu saiba distingui-las.
Minha vida se estica e se contorce, como um arco tensionado... Uma arma sendo engatilhada para um disparo inflexível. Um tiro no escuro. Um golpe seco. Uma exclamação agigantando-se por sobre a maré escarlate.
Minha vida se estica e se contorce, como um arco tensionado... Uma arma sendo engatilhada para um disparo inflexível. Um tiro no escuro. Um golpe seco. Uma exclamação agigantando-se por sobre a maré escarlate.
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