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sábado, 20 de setembro de 2014

Me sinto só

A noite se alonga. É fim de semana, mas não vou a lugar algum. Digo, não fisicamente, pois minha mente vai na tua casa, vai no teu quarto, vai no teu telefone, segura a respiração e volta, como uma onda quebrando na praia.
Meu jazz se estica ao som do sax de segunda mão e morre, como morre o dia no lusco-fusco. E me ofusco com meus sonhos acordados. E nós, novamente, não temos chance.
Sopra a brisa com vagar e a retidão dos meus pensamentos se perde. Acaba a melodia. Entra uma voz feminina, que não é a sua, para tragar meu ser como amorcotina num cigarro de melancolia. "Eu quero te roubar pra mim...", diz ela, maldosamente mimetizando minhas vontades. "... eu, que não sei pedir nada."
Não sei. Mesmo. Não sei pedir, só sei sentir. E me sinto só.

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