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sábado, 20 de setembro de 2014

Uma Princesa

Ela tem olhos como dois sóis, girassóis ou flores douradas de jasmim. Espelhos d'água em que eu mergulho para um outono castanho e profundo, por vezes frio como a brisa que lhe sopra os cabelos, por vezes febril como o sol de fim de tarde.
Uma princesa. Uma rainha. Uma espécie de brincadeira irônica do destino, que trouxe para a realidade uma pequena mescla de todas as damas de minhas histórias fantásticas e minhas. Só minhas.
Naquele passo perdido de quem cambaleia, procurando um caminho com olhos de menino, tentei deixa-la passar. Deixar que ela fosse e viesse como mandasse sua vontade. Mas minha mente é irrequieta, rebelde. Não consigo esquecer.
Não consigo esquecer uma única noite. Uma única madrugada ou manhã. Não consigo ceder ao oblívio nenhuma das mínimas parcelas de desejo que ela deixou em mim. Nem o sorriso, nem o abraço. Não consigo deixar passar por mim a memória de suas unhas ou de seu calor, nem de sua cama ou edredom. Nada é em mim como ela foi. Nada é pra mim como ela pode ser.
Sem dúvida que há outras que possam se abrigar no vazio que ela deixou em mim, mas na minha transparência, saberão que ainda falta. Faz falta.
Desde então, apenas ela existe por completo na minha saudade.
Ela foi. Ela é. Só ela pode ser.

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