Páginas

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Descaso

   Eu nunca neguei nada. Nunca me negaram nada. Nada. Nunca. A sede e o sono se confundem na ponta da minha língua, quando a cafeína erra o caminho nas minhas veias. Sonolento e sedento eu ouço... Há uma canção no ar, uma canção de adeus, uma canção de olá... Ela me diz que o que você me pede eu não posso fazer, replico que o que você não pode eu não vou te pedir...
   Eu vejo fins. Vejo erros. Vejo lacunas. Espero beijos, num piano bar. Espero que falte luz, espero um abraço no escuro, porque nesse fim de ano quero mais que o natal passado me deu. Gostaria de ter luzes piscantes para me abrigar na véspera do mais falso teatro do ano.
   Fraturo tradições, esperando que num dia desses, num desses encontros casuais, eu possa dizer: prazer em vê-la!
   Não fique pela metade. Vá em frente, minha amiga. Abra e feche a porta. Me deixe entrar ou me deixe sair, perdi as chaves. Seja sincera mais uma vez na vida, você se apaixonou pelos meus erros... Não somos o que podemos ser.
   Eu queria não me importar, mas quem se importa demais, tão fácil.. Não deixa escorrer pelos dedos sem arrependimento. Ao menos poderiam nos encontrar sem vergonha, com um sorriso embriagado num dos quartos dos fundos. Os engenheiros acertaram outra vez quando disseram que teus lábios são labirintos, que atraem meus instintos mais sacanas.

"Se eu tivesse a força

Que você pensa que eu tenho
Eu gravaria no metal da minha pele
O teu desenho"

Nenhum comentário:

Postar um comentário