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sábado, 22 de dezembro de 2012

Desencanto




    Perde o brilho, desvanecendo-se o encanto, com tanto carinho que esquece de expressar. E triste fico, a ver navios, quando gostaria de me deixar levar... Não é a fantasia hedonista que me motiva, mas a perspectiva de que no fim pode ser amor. Afinal, quem amou como eu já amei e que, sem mágoas, deixou partir acredita piamente que pode encontrar amor de novo, e outra vez mais. Equilibra-se com a mais pura felicidade de saber que é única cada uma, e que qualquer uma pode ser a verdadeira e última. Ainda assim, não sou de meios termos. Amor é um vão de duas portas, ou se abre dos dois lados, ou ninguém passa.
O desejo são os enfeites que te seduzem a olhar pela fechadura e do outro lado tudo que se vê é um par de belos olhos a te encarar de volta, daí que te baste. Abre a porta, ou guarda o tal amor no bolso.
    Daí então é inevitável, porque a única corrente que mantém a paixão do lado é uma dose diária de carinho, afinal somos todos gatos que morrem de desgosto se presos em cativeiro mas que, se bem cuidados, encontram sempre o caminho de casa.
    Faz-me um favor: manda-me embora de uma vez por todas, ou me convida. Tortura é ficar no sereno da noite, esperando na varanda por uma porta que nunca se abrirá.

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