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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Nocaute

   Não foi uma flechada, como um olhar a primeira vista. Foi uma semente que cresceu dia a dia. Foi uma roseira cheia de vitalidade, tomando todo o espaço que podia. Foi um copo que é preenchido até transbordar. Foi uma fagulha tornando-se uma chama. Foi uma vela tornando-se um incêndio. Foi o vapor que forma a nuvem de chuva. Foi o amanhecer, vindo de ponta de pé. Foi nada. Foi tudo.
   Foi tudo isso, tão sutilmente que demorou a aperceber-se.
   A percepção veio só um passo a frente. Depois dela veio a certeza. E a certeza veio com fúria, com paixão, com uma força absoluta. A certeza o acertou com um gancho de direita bem colocado. Sem dó, ali no meio da rua. Bastou isso. Foi nocaute na hora.
   Nocaute de amor.

2 comentários:

  1. E que nocaute bom esse, não?
    Desorienta, mas acalenta.
    Assusta, mas acalma.
    Entorpece, mas desperta.

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