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terça-feira, 22 de abril de 2014

Quatro Besouros

   Acordei com quatro insetos zumbizando no meu ouvido. Não sou um grande fã de insetos, mas quem me conhece sabe que eu não costumo matar os coitados exceto se me picarem ou me encherem o saco (todo mundo tem seu limite).

  Mas esses besouros eram de outro tipo. Engravatados, com aquela cara de "hey, jude, don't make it bad", sabe? Quase como se tivesse pulado fora dos anos sessenta pra minha cabeceira. E eles me entendiam, quase tanto quando o Elvis me entende.

   "Vou fingir que estou beijando os lábios dos quais eu sinto falta e torcer para os meus sonhos virarem realidade" - me disse um deles, antes de me piscar os olhinhos como quem não sabe de nada. Ele sabia de tudo. Safado. Sabia exatamente o que se passava na minha cabeça.

   "Oh, me ame! Me ame de verdade!" - zombou outro, voando para longe do meu olhar furioso e repetindo. Zombando, zumbizando: 

   "Você já sabe que te amo, sempre serei fiel. Então, por favor, me ame de verdade."

   Maldito.

   "Um amor como o nosso nunca poderia morrer, contanto que eu tenha você perto de mim." disse o terceiro, com sobriedade. Ele sabia. Ah, ele sabia. E ainda me olhou cruelmente, sabendo que eu não a tenho perto de mim.

   Mas o último besouro não riu. Não zombou. Mas, zumbizando, me mostrou que todos eles acreditavam em mim. Não era zombaria. Me trazendo lágrimas aos olhos, o quarto besouro falou como a luz da esperança no fundo da caixa de Pandora e os outros repetiram:

"Deixe estar. Não haverá tristeza... Sussurrando palavras de sabedoria... Deixe estar."




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