Tocava uma daquelas músicas de baile. Aquelas que você nunca vai se lembrar no dia seguinte, mas que te faz sentir como se o mundo todo estivesse desabando e só restasse os dois, dançando sem saber direito, passinho, passinho, passinho. Devagar. Uma dança quase tímida. A dança da noite.
Uma luz violeta dançava junto com um feixe de luz branca sobre eles, quase como se tentasse dizer que eles não eram os únicos naquele mundo de vidro que a qualquer momento ia rachar, com o DJ baixando o volume e baixando e baixando...
As luzes foram se fundindo, tornando-se uma tênue iluminação azul, quase podiam sentir o calor do azul, enquanto os últimos jatos de gelo seco subiram como uma cortina. A escuridão foi se assentando. A luz diminuindo. A névoa dissipando.
- E agora, acabou?
- Sim. Hoje é minha última noite aqui. Meu avião parte amanhã pela manhã.
- É só isso?
- É tudo isso.
A música parou. Continuaram dançando ao som do silêncio.
- Você me escreverá?
- Escreverei você, de você, para você. Até quando houver outro garoto que te leve pra dançar. Até que haja um garoto que te traga as flores que esqueci sobre o armário. E que ele esteja com você por tanto tempo e com tal intensidade, que você esqueça de me ler.
- Mas..
- Você sabe que isso vai acontecer. Não amanhã, nem semana que vem. Mas um dia. - Ela assentiu.
- Uma última dança então?
- Essa foi a última.
Pararam de dançar. A música realmente havia parado. As pessoas saíam do salão. O DJ começava a desmontar o equipamento.
- É adeus?
- ...
Abraçaram-se.
- A escrita é meu maior vício e a maior parte de mim.
- Hã?
- Mesmo quando eu já tiver te esquecido, ela vai lembrar de você e eu vou recordar.

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