Chegou em casa já enxugando o suor da testa. Largou a bolsa no canto da sala e sentou no chão com sua sacolinha branca. Levantou novamente alguns minutos depois, tendo tomado coragem para buscar um prato. Voltou a passo pequeno, ligou a tv e sentou novamente, pondo o prato à frente e o controle remoto ao lado.
"Ninguém merece andar tanto nesse sol." pensou, tirando o conteúdo da sacola. "Ao menos passei na banquinha pra comprar comida."
Colocou o pastel de frango no prato, junto dos três guardanapos que estavam no saco de papel. Abriu a guarina com certo esforço e após um momento de crise existencial, desistiu de levantar para buscar um copo e resolveu beber na garrafa.
Apertou três vezes o botão do controle, mudando de canal, aprumando-se para começar o banquete. Um longo gole trouxe o sabor doce e a sensação gelada da guarina tocando a língua e pinicando nas bochechas, descendo como um elixir pela garganta.
"Aaaahhh!" pensou, com um sorriso infantil no rosto. "Que delicia."
Deu duas mordidas no pastel antes de voltar os olhos para a televisão. Passava um filme daqueles que você já viu três ou quatro vezes, mas não se recorda quando foi a última. Já deve estar no segundo ou terceiro bloco e logo vai começar outra vez os comerciais, mas você decide assistir ainda assim.
As vozes dubladas estragariam o filme, não fosse ele tão antigo e com um valor nostálgico tão grande. Com aquele sabor doce de guarina, o salgado temperado, o sol das quatro, a brisa pela janela. Voltara à quarta série. Voltara à infância.
Um encanto conduzido por um filme repetido na sessão da tarde.
Desista, você não tem nada haver com escritor, é uma bosta como arqueiro, é burro e imbecil, só posta merda, por isso ninguém visita essa porcaria!
ResponderExcluirÉ conselho de amiga!