Páginas

quarta-feira, 12 de março de 2014

Encanto

   Ela me pegou de jeito.

   Tudo bem, eu baixei a guarda porque quis e já sabia que ela estava me encantando. Estava encantando o lado poético, o lado romântico e fui me deixando levar. Fui cedendo e sacando que ela já me tinha nas mãos. E talvez ela estivesse nas minhas.

   Bastou a canção certa tocar. O "agora não" se tornou um beijo e aí já era. Nós já sabíamos que aconteceria. Bastou a luz da sala apagar. O beijo no lábio virou um ofegar no pescoço. A vida virou do avesso, ou talvez ela tenha me virado do avesso. Ou vice-versa.

   A intensidade - ou densidade - das memórias foram para mim algo como uma droga. Maldita, encheu minha cabeça com seus sorrisos, meio sorrisos, gemidos e tudo o mais que me pôs arrítmico, taquicárdico, apaixonado. E ai dela se der corda. Este relógio aqui tende a fazer as vezes de cronômetro, regressivamente contando o tempo para a explosão. Ai dela se der corda, que me enlaço, me perco, me apeteço... por qualquer pedaço de seus lábios. 

    E que lábios. E que boca. E que mulher.
                                 Eu quero essa mulher.

   Não obstante os pontos sem nós, a qualquer momento que estejamos a sós, entrego-me outra vez.
                  Não é o bastante essas pontas soltas, já não haverá outras, pois ela me encantou de vez.

Um comentário: