Estendi a mão e sorri de canto, com o sarcasmo borbulhando pelo canto dos olhos. O motorista me olhou nos olhos e passou direto, talvez pela vontade de descontar em mim sua dose de frustração.
"Ok. O próximo demorará demais, vou caminhando." pensei, já pondo um pé na frente do outro. "Vai levar uma vida... Haja amor."
* * *
Esquinas espreitaram, escondendo-se atrás de árvores nas praças. Um ciclista passou de bicicleta, dois carros, um ônibus, outro ônibus. Nem virei para olhá-los.
Passava diante do supermercado quando o letreiro acendeu. As pessoas começavam a se recolher, deixando as ruas mais e mais vazias.
Acenderam também os postes. Me aproximava, finalmente. Parei diante do portão, recuperando o fôlego. Toquei a campainha. Não demorou muito. Lancei um último olhar para trás.
Acenderam as estrelas. Mas apagaram-se as luzes. Glória.
Oficialmente noite.
* * *
Eu não imaginava que logo ela me serviria - ou melhor, nos serviria - copos de bebida. Não inquiri, apesar de curioso. Sentamos lado a lado sem almofadas, a conversar baixo, talvez pela falta de luz. Mas as pupilas dilataram - e não só pela falta de luz. Transmutamo-nos ali. Algo um tanto alquímico. Olhos de ver através. Dedos de sentir calor. Abraços de sentir perfume. E carinho. E mais.
Gosto do tempero do álcool, reconduzindo instintos. Não é como se nos reprogramasse. E mesmo que tenha de ficar guardado no fim de semana, vale a pena. Mas há de ter um cheque mate, há de ter uma reprise. Porque a vontade fica e tem mais, é atração. E é química. E é foda.
A silhueta dela sobre mim, os lábios entreabertos, os corpos entrelaçados, os olhos - entretanto - completamente fechados. Perdidos entre gemidos. Pulsando por tensão. Mas a noite tinha de passar, apesar de todo o desejo.
Acenderam-se as luzes. Ficaram as marcas. Ficaram os perfumes. Ficaram as memórias.
Gosto do tempero do álcool, reconduzindo instintos. Não é como se nos reprogramasse. E mesmo que tenha de ficar guardado no fim de semana, vale a pena. Mas há de ter um cheque mate, há de ter uma reprise. Porque a vontade fica e tem mais, é atração. E é química. E é foda.
* * *
A silhueta dela sobre mim, os lábios entreabertos, os corpos entrelaçados, os olhos - entretanto - completamente fechados. Perdidos entre gemidos. Pulsando por tensão. Mas a noite tinha de passar, apesar de todo o desejo.
Acenderam-se as luzes. Ficaram as marcas. Ficaram os perfumes. Ficaram as memórias.
* * *
E nós voltaremos.
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