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quinta-feira, 14 de abril de 2011

De uma aula turbulenta

   E chove, novamente... O ruído dos sussurros e das conversas se somam e amplificam, como um ser gigante murmurando durante o sono. Uma multidão reverberando, presa. No entanto nenhuma destas vozes dizem nada que se deseje realmente ouvir, nenhum tom é o tom que agradaria.
   O preceptor, com suas tendências religiosas e o imenso saber, fala palavras de conhecimento, em vão. Sua voz se perde na turbulenta mescla de vozes dos deseducados alunos.
   Como um urso sentado numa pedra no meio do rio violento, assisto a tentativa do homem de compartilhar sua sabedoria com possíveis predecessores. Imersos nos próprios assuntos sem importância real, ignoram a chuva fraca que não alcança o vidro da janela, ignoram a natureza suspirando, ignoram o próprio interior e suas filosóficas perguntas sem resposta, aterrando-o com futilidades.
   E o som sutil da caneta riscando o papel passa despercebido para todos, exceto para o dono da mão que move essas palavras sem força de mudança.


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