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sábado, 16 de abril de 2011

Espetáculo Pincelado

   A escuridão e o silêncio enganam os possíveis espectadores. Mas sob a proteção do breu e da cortina de pedra, tensionado pelo perigo e passível de castigo, as chamas não se limitam. A tintura vermelha não se satisfaz com as pinceladas do artista, pelo contrário, multiplica-se. A coloração se espalha e é tanta, escorre, salta da tela nas mãos do pintor, aquecendo a si mesma com o deslizar dos pincéis.
   Cheiro. Sabor. Cor. Sombra. Um banquete vivo em duplo tom. Escarlate por dentro e puramente escuro por fora, numa escala de cinza, iluminado indiretamente por uma lua quase cheia escondida no céu noturno.
   Um espetáculo inédito tanto para o elenco quanto para a platéia. E as cortinas se abrem uma a uma, revelando mais e mais, incitando novos patamares de sentido, noutra escala de sintonia. Orquestra suspirante de sussurros harmônicos em canção improvisada.
   Versos vazios de palavras, recheados de sentido. Diálogos metalinguísticos entrelaçados, planejados para dizer o que o arquejar já contou. E A magia continua doce. E de tão doce dá mais sede.
    A magnificência de um quadro deslumbrante em criação, tal qual Giocconda, perfeita em suas imperfeições, recebendo mais riqueza e mais detalhes a cada novo debruçar do dueto de pintores. Bibliotecas e Pinacotecas de ricos detalhes, salpicados de entrelinhas, mas impossíveis de serem postos explicítos. Um segredo não-secreto. Um Ato, de toda uma Peça.

Um comentário:

  1. Já está ficando piegas isso, mas é simplismente inacreditável...

    "Salta da tela nas mãos do pintor" " E de tão doce dá mais sede."

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