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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Crônica: Visita Inesperada



    Acordei de madrugada, uma sede dos diabos habitando minha garganta e uma garota seminua na minha cama. Não me lembro de ter dormido com ela. Em boa verdade, tenho certeza de ter adormecido sozinho.
    Mas ela está lá como uma evidência irrefutável da própria presença feminina no meu leito, e ela não é você. Por uma infelicidade casual, é de frequência estúpida a quantia de vezes que fico só no desejo semi-satisfeito. Consequência de uma gula indecorosa que me devora eternamente.
    Minha sede dos diabos vem acompanhada de um calor dos infernos. Os lençóis em brasa do contato com a minha pele sempre febril.
    E revirei-me. Descruzei pernas entrelaçadas e caracóis de cima de mim e levantei tomando o travesseiro pela mão. Dois latidos e um miado de cumprimento, dois copos de água gelada, meia xícara de café requentado, uma página e meia de Assis. Voltei para a cama onde minha visitante permanecia inconsciente.
    Sem camisa na frente do ventilador, ainda consumido por calor, fiz um cafuné na menina e caí no sono.
    Acordei de manhã acompanhado.
     Acordei de manhã.
      Acordei sozinho.

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