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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

De gregos e troianos


   Duas fases na parede; duas cores distintas que na monotonia de um discurso viram uma janela para o mar. A pungência de uma saudade mescla-se à sonolência abundante de uma manhã por demais célere, imergem-me numa inércia perplexa de fisiologia, mas a reatividade dos meus sonhos potencializa na solução inerte dos meus lábios fechados. Inquietos, meus dedos acompanham a valsa dos olhos e transbordam tinta, que jorra onde minha alma rachou, sabe-se lá quanto tempo atrás. A mesma boca faminta que saliva tinta e beija espíritos aquecidos pede emoções fortes com um desejo tão intenso que só Tântalo entenderia.
   E de gregos e troianos, minha Ilíada pessoal guiou-me a ser Ícaro e despencar no próprio Olimpo, antes que me abenmaldiçoassem com um pomo de ouro das Hespérides que me dão o dom de perder-me no julgamento dessas magníficas deusas. Historiadores e mitólogos saberão, Afrodite sempre vence, pois o amor é o tesouro humano mais desejado. Por fim, afoguei-me ao procurar alguém que me completasse e uma ninfa tornou-me uma flor de sacrifício. Os Ecos de minha voz sobreviveram por tanto tempo que aqui estou novamente, para não cometer o mesmo erro.
   Pois de gregos e troianos já me basta.

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