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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Meio Amargo


    O canto ressoa, como uma memória perdida. Ressoa como um desejo insatisfeito, ou uma sólida solidão. Seu peso prende como uma gaiola dourada. Seu toque, inefável, leve como pluma; efêmero. Uma brisa salgada... e doce. Passos apressados pressionam uma despedida mais breve que sonho saudável de inverno. E sobre sabor? Pensa bem... Um ardor escocês, taurina e adrenalina. Sal marinho, testosterona e café fresco... É por aí.
   O canto ressoa, como um alaúde suspenso. Ressoa como um coração taquicárdico, ou um sopro ofegante. Sua leveza flutua como duas dúzias de balões violeta. Seu toque, brusco, real como abraço; eterno. Uma chuva fria... e morna. Passos sem pressa anseiam um encontro tão breve quanto uma única dança ao som de forró. E sobre sabor? Nem pensa. Mas quem sabe um café com creme de nata natural e pedaços de chocolate... Meio amargo, por favor.

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