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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Na Ponta do Mundo


 Via as ondas se quebrarem num muro de coral escuro e pedra salgada... Caminhara sob o sol daquele deserto infindável rumo à um passado distante, tinha ao lado companheiros antigos e novas amizades e ele. Ele amado. Ele protetor. Ele confiante, calmo e raivoso. Ele, O Mar.
Mesmo sem recursos, encarou o desafio pelo desafio e escalou e saltou pedras como o felino que, no fundo, era. E do outro lado, atravessado o abismo primeiro virou-se e lá estava. Naquele paraíso que era a ponta do mundo, o sorriso mais radiante que já vira. E um dos mais bonitos, sem dúvida. Sorriu de volta, obviamente. Seria impossível não fazê-lo. E caminhou para ela, de braços abertos, coração aberto, de espírito livre. E não poderia ser diferente. Até onde poderia perceber ela fazia o mesmo. E beijaram-se e espiaram em volta, risonhos, em busca dos olhos curiosos que viriam. E como um licor quente e alcóolico, desceu-lhes felicidade pela garganta. E riram-se. Amaram-se promiscuamente por um ou dois segundos. E mesmo que nunca mais venha a acontecer. Fora um momento único, inédito e fantástico. Para ficar guardado naquela ponta do mundo. O que vier depois fica como uma ideia que existe na cabeça.. Que não tem a menor pretensão de ocorrer e se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer...

2 comentários:

  1. " (...)Naquele paraíso que era a ponta do mundo, o sorriso mais radiante que já vira. E um dos mais bonitos, sem dúvida(...)."

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    1. E não minto.. fica guardado no fundo dos olhos pra quando fechá-los. Vontade não falta de repetir tudo.

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