Eu recostei naquela cadeira de balanço com um cansaço ancião. Estava faminto, mas não sabia se era só fome ronronando na barriga ou se era saudade pondo borboletas no estômago. Eu sabia bem que não podia tirar alguns espinhos dali, mas seria audácia fingir que eles não existiam. Eu não sabia se tinha motivos para rememorar coisas esdrúxulas e histórias de comédias, novelices de noites insones que a vida foi jogando no meu peito. Coisas que fui jogando por sobre o ombro para não me impedir de ver o que importa.
Acontece que não tenho dejavú com um beijo que seja. Nunca houve, nem há ou haverá espaço para mais que um par de olhos no meu sono e na minha insônia. E cada carta anônima e sem destinatária, crônica indelével, conto faminto, todo e cada parágrafo e rima, que ficaram vagando pela mente, sem ter porquê de existir, encontram olhos que os leiam agora. Cheios de sentido.
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