As marcas escondem-se sob as dobras da roupa, mas eu consigo vê-las com uma fagulha invisível que percorre, num átimo, o meu íntimo. Elas fervilham como uma febre mental, roçando cada curva. Seu alarido intermitente interrompe cada um dos meus pensamentos, impedindo-me de descrever quaisquer dos querubins sob a minha cama.
A frustração é inspiração para poemas sem rima e prosas sem rumo, famintas por pele macia e toques bruscos. Minha fome não se cala com pedaços cozidos de carne ou com o álcool, cambaleando torta pelo meu peito como um bêbado sapateando sem equilíbrio em cada músculo.
E de todo músculo sem controle, domo apenas a minha própria língua, que permanece insana. Ela que chicoteia palavras emudecidas e clama por uma sede que não pode sanar. Ela que se contorce por um sabor salgado que não se pode alcançar. Ela que dita a contragosto cada uma destas palavras, sem sair de sua prisão branca sob meus lábios cerrados e famintos.
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