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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Contra a chuva cinzenta


Sorria, está chovendo, está esfriando. Esta carruagem de metal está navegando sobre a pedra e a água me levando pra longe de você. As gotas de chuva se esgueiram pelas janelas, saltam e caem no chão, onde ficam dançando, de um lado ao outro, se unindo e se separando. Ouço o som delas se jogando contra o vidro, estou recostado contra a parede gelada de metal. Não há muitos aqui dentro, a maioria desceu em meio ao aguaceiro. O ônibus  cambaleia, seguindo em frente, para dentro da tempestade de água.
Já estão se formando rios no asfalto. Há uma cachoeira do lado de fora da minha janela e estou sozinho, vendo a rua por entre os fios velozes de água. Há tanto em que pensar, mas eu não quero pensar. Eu quero agir, viver o presente. As nuvens estão tão brancas ao longe, mas estão tão escuras sobre mim... É como a beleza que se apresenta, mas pede para que eu vá em direção a ela. E eu vou. Mas neste gingado em meio à chuvarada, meu avanço é tão lento... O motorista fica cauteloso, a chuva é tanta que não vejo muito a frente. Ele também não deve estar enxergando, então vai mais devagar, enquanto eu só quero que ele corra. Desejo que ele pise fundo e avance rápido e cegamente para dentro da nuvem d'água que está na nossa frente, que estejamos contra a chuva tão intensamente quanto ela está contra nós, mas sei que infelizmente isso não será possível, e então só me resta esperar...

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