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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Fúria

 Pela primeira vez eu não quero dar o primeiro passo. Não quero ser eu a convidar para dançar. Não quero sorrir e sorrir e olhar e brilhar por dentro. Minha alma está nublada demais para que meus olhos brilhem por alguém agora. Na verdade, pela primeira vez eu quero parar de sorrir para aqueles que não gosto, quero dizer em alto e bom som: "Eu quero que você vá pro inferno!". Quero parar de me adaptar e ir e vir e chamar e seguir. Quero estar só comigo e ter alguém que me chame, não o inverso. Quero esquecer minha indiferença, jorrar minha raiva, rir meu riso e desprezar todos e tudo com meu desprezo acumulado, aquele que eu seguro pelo meu hábito de gentileza. Quero jogar minha delicadeza no lixo e tratar com grosseria o mundo todo por um dia. Quero parar de competir silencioso por coisas e pessoas que emanam frieza ou espelham um vazio de sentimento. Quero olhar nos olhos daquela com quem minhas palavras falham, gritar até perder a voz, mandar que se expresse claramente. Que diga "nunca!" ou "aqui e agora!!!". Não quero ser esperto, não quero ser a lógica, quero ser o simples e puro instinto, bem animal, bem direto, bem furioso, sem hesitação.

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