Páginas

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Mas não seria verdade

  É claro que eu poderia dizer: "Eu te amo", mas eu não amo, essa é a verdade. Talvez eu te odeie e não saiba ainda. Mas independente de qual seja o sentimento, é forte o suficiente para que eu fique viciado nele, para que eu a deseje sempre.
  É uma tolice fixada ao meu íntimo agora, uma irônica satisfação de ter ciúme de você ou de vê-lo nos seus olhos. A expectativa durante o dia, o relembrar durante a noite. A admiração que tenho por suas caras e bocas, e bocas, e bocas. Uma luxúria perversa. Uma ira de mim mesmo, que alivia quando sou mau contigo, ao mesmo tempo em que é também um remorso que alivia quando te faço rir. Eu te quero e te recuso. Te nego, antes de revogar minha decisão. É fácil acompanhar sua felicidade num lugar à meia-luz, ou fingir que não te desejo quando nos vemos por aí, em meio a multidão.
  O ar estica e se comprime, segura a respiração, quando passo perto de você. Tudo ferve quando te olho nos olhos, vejo-os brilhar.
  Mas sem me ligar a você, enquanto olho também pro outro lado, não posso dar mas nem um passo, para dentro da escuridão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário