Eu acordei desorientado. O lugar onde estava era apertado e empoeirado, sentia isso no fundo da minha garganta. Tinha um cheiro latente de mofo, mas o chão era macio. Meu nariz coçava terrivelmente, mas era impossível alcançá-lo, minha mão esta presa em algo. Percebi que ainda estava com os olhos fechados, mas era tão escuro que não importava muito. Minha mão estava presa, talvez algemada ou amarrada, à uma maçaneta, era o único modo de sair dali, mas por algum motivo, eu não queria abrir a porta. Minha prisão desconfortável era um forte inexpugnável, onde nada poderia me ferir.
Percebi que eu era parte de alguém, a parte sentimental de alguém lógico. Foi então que a claustrofobia me atingiu, eu era os próprios sentimentos de um ser que passava a ser racional demais. Então comecei a gritar, e o desgraçado do meu outro eu só ouviu, mas não disse uma palavra. Então, ao fim do desespero, ele disse: "você pode sair, mas quando sair, não terá mais proteção alguma."
Então eu dormi, mais profundamente do que nunca antes, mas quando despertei, não poderia aguentar mais a vida aprisionado, saí. E é claro que fui recebido com felicidade, amor, paixão, mas bastou o fim da novidade para que eu recebesse o que já esperava, rudeza. Mas me esbaldei com ela. E não sei mas o que sou.
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