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terça-feira, 22 de março de 2011

Lusco-Fusco

  Lusco-fusco... Alguns minutos de luz e sombra entre a tarde e a noite, sem lâmpadas, parece que o mundo todo fica azul... Azul. Como se o tempo estivesse parado e a Terra por um momento respirasse livremente em total tranquilidade.
  Ela passa o sentimento de calma, enquanto o silêncio se prolonga, como se não houvesse restrições, como se as tradições fossem estilhaçadas e simplesmente o pudor fosse algo de outro mundo, não há pudor se não houver pecado e é assim que parece. Uma ausência total de pressa, um objetivo compartilhado, uma certeza definitiva e efêmera. Duas criaturas pensantes, que por um momento abandonam a si mesmos no puro instinto, como uma alma que se dividira e agora, se encontra com sua parte faltante, mergulhando numa euforia sem sentido.
  Lusco-fusco... O Azul e a sombra dele, tons diversos duma mesma cor de paciência infinita, isolando um casal, isolando-os das pessoas e das vergonhas, eliminando suas interrogações. Uma sensação de calor que se aproxima ao longe, sempre esteve ali, insinuando-se de forma vagarosa e inexorável, e agora toca-lhes o íntimo.
   Por um segundo, ou um infinito, talvez, o vento prende a respiração, a Terra pára seu giro, o sol poente e a lua interrompem seu movimento, o tecido da realidade parece distorcer, aumentando o comprimento daqueles centésimos de segundo. No fim o azul perde sua luta para o escuro e o pudor perde sua luta para a paixão. E eu sou apenas o espectador.

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