Me ponho em preto e branco, não por temer as cores, mas por amá-las, e amando-as todas não poderia restringir minha aparência àquelas que me foram dadas por natureza. Enquanto estiver descolorido, por imaginação e pensamento estarei sendo do modo que desejar, e do modo que desejarem me ver.
Poderei olhar sombriamente ou brilhar repentinamente, sem mover ou mudar em nada aquela imagem em suspensão. Serei metamorfo, dissera como o camaleão, mudando de cor, mas sem mudar de opinião. Farão de mim a imagem que lhes parecer mais apropriada. Façam de mim o que acham correto enquanto eu continuar errado, para que conforme ensinaram, enquanto eu estiver negativo só atraia o positivo.
Eu sou impessoal, literalmente, deixo minha personalidade guardada, me torno outros 'Eus', sou Olavo, Cecília e Delfim, dada a situação em que estiver. E cada um que me conhecer dirá que sou de um jeito e terá provas disso, acreditará nisso, mas nunca terá certeza. E quando eu disser que não sou ninguém, acredite, talvez eu realmente não esteja sendo ninguém.
Algumas vezes, isso me leva à exaustão, mas já estou acostumado. Quando estiver abarrotado de outros de mim, poderá perceber o meu processo interno de organização, quando paro e deixo o olhar vagar, alguns segundos ou minutos de devaneio para prevenir horas de opiniões erradas. Talvez eu diga que estava observando as nuvens, ou os pássaros ou as flores, mas, é claro, será mentira. Estava mesmo é olhando dentro de mim, colocando cada um em seu lugar para não agir do modo errado, nem falar o que não devo, para não sair do personagem.
Tudo, para não sair do personagem.
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