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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

As cebolas de natal.

Limpa a bandeja.

Corta a cebola. Corta o dedo. O vermelho pinta a pia. Pinga. Chora. Dor que abre a epiderme, queima a carne sob ela.

Corta a cebola. Corta laços. O jantar está quase pronto mas as cadeiras estão vazias. Senta. Chora. Dor que abre um vazio lá dentro.

Corta a cebola. Corta. Reparte. Dor que fatia e arrasta garganta acima o coração. Descem as lágrimas.

Cozidas elas não ardem em ninguém. Exatamente como as paixões que já passaram pelos beijos e abraços e amassos.

Ela acende as velas, lambe o dedo, põe o prato.  Come sozinha.

Está tudo bem agora.

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