Limpa a bandeja.
Corta a cebola. Corta o dedo. O vermelho pinta a pia. Pinga. Chora. Dor que abre a epiderme, queima a carne sob ela.
Corta a cebola. Corta laços. O jantar está quase pronto mas as cadeiras estão vazias. Senta. Chora. Dor que abre um vazio lá dentro.
Corta a cebola. Corta. Reparte. Dor que fatia e arrasta garganta acima o coração. Descem as lágrimas.
Cozidas elas não ardem em ninguém. Exatamente como as paixões que já passaram pelos beijos e abraços e amassos.
Ela acende as velas, lambe o dedo, põe o prato. Come sozinha.
Está tudo bem agora.
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