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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Periferia



Estou na periferia do seu amor.

Me vês ao longe, subindo morros, traçando rotas no subúrbio das paixões insólitas do teu coração.

Queria-te. Amaria-te. Te amaria no futuro do pretérito, pois nossas chances padecem de um eterno retorno ao passado. E vão passando. Talvez uma, talvez uma dúzia de oportunidades que eu pensei ter aproveitado e perdi.

Se tudo passa, talvez você passe por aqui. Outra vez. Mas vocês já estão tão passados, como roupas lavadas que já não vão para o varal. O meu varal de poesias estava vazio. Cria que minhas cicatrizes já nem tão nuas haviam esquecido de você. Cria que todas haviam sarado. Ledo engano... Você, Leda e Calisto, trouxe meus relâmpagos ao chão, não sou Zeus, nem Plutão. Sou apenas mais um Páris apaixonado pela Helena errada. Mais que Afrodite, você cruzou cada um dos meus versos numa rede para me aprisionar. Assim, estive todo em você, mas você não estava em mim.

Fomos um cervo de luz prateada, um feitiço certeiro, palavras incertas que me dobraram, me enfeitiçaram, me negaram a primeira fatia do bolo. E não gosto de segundos lugares, sou todo ouro e tequila: uma verborragia de paixões moribundas, desejos incontroláveis e amores (i)mortais.

Apesar de tudo, cresço como erva daninha. Torno a retornar para suas torneadas pernas, envolvo seu pequeno corpo e perco-me no perfume dos seus cabelos. Mente, verdade, imaginação. Truques de mágica e prestidigitação de textos digitais: palavras, poesia, portas através de espelhos onde você, Alice, e eu, Narciso, somos nada mais que um eco de amor a soar. E ressoar.

Um sonoro gemido de prazer.

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