
Ela me tirou pra dançar. Morena, com um jeito baiano.. Daquele tipo que tem cachos perfeitos e pretos como carvão. Daquele tipo de mulher que exala sensualidade, com um sorriso branco e lábios grossos de África. Daquele tipo que me põe de joelhos com um rebolado espanhol.
Ela me tirou pra dançar e eu me senti pequeno. Como um menino de rua que se perde no olhar de uma modelo de outdoor. Se a paixão tem um cheiro, ela o usava de perfume. Entre o pardo e o teca, a pele dela brilhava sob a luz daquelas lâmpadas à candieiro.
Que lambada era aquela? Me escapa à memória.
Que ardor era aquele? Meu coração bateu tão forte, tão rápido.
Ela me olhava nos olhos como se fôssemos protagonistas de um romance. Como se já estivéssemos à baila de uma cama. Duas pérolas negras. Ela me olhava com uma paixão tão quente que me punha a salivar. E eu sabia que era um segredo de nós dois. O resto do mundo não conseguia ver que nós já estávamos ardendo.
Naqueles curtos segundos ou minutos ou horas, eu só punha minhas mãos em sua cintura e sentia o movimento de seu quadril, ouvia sua risada entre lábios, sentia o esvoaçar do seu vestido. Meu coração batia na garganta, enquanto ela sinuava em minha frente, entre minhas mãos, em minha volta. Ela estava em todo lugar. Sua respiração por vezes se confundia com a minha e mesmo sendo um leigo, me senti um artista. Durou pouco, mas durou um infinito. O suficiente pra deixar uma marca em algum lugar profundo. O suficiente para minha garganta se fechar enquanto eu lembro. E me arrepio e suspiro.
Talvez eu volte àquela dança. Talvez eu volte àquela Rosa.
Seu rosto não vai desaparecer da minha lembrança. E que rosto. E que corpo. E que dança. Deus, que mulher!
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