Pobre coitado.
O vi parado com a mão no bolso, apertando o maxilar enquanto reunia coragem. Ela não sabia que ele trouxera todos os exageros do amor dentro de uma pequena caixa de camurça azul-marinho. Ela sorriu pra ele. Estava feliz em vê-lo. Abraçou-o, beijou seu rosto, deixou seu perfume por toda a roupa dele.
Ele a apertou contra si, como quem sabe que o mundo vai acabar no próximo minuto. E os sessenta segundos correram como só os segundos sabem correr. O abraço acabou. Ele a olhou nos olhos com toda a profundidade que lhe era digna. Dignou-se a sorrir seu melhor sorriso. Desviaram os olhos. O minuto acabara.
Ela virou-se, abraçou o outro. Tocou-lhe o rosto. E o jovem desabou por dentro. Ela não via, talvez nem ele visse, mas eu sabia. Ela entrelaçou os dedos com o outro, deu-lhe um beijo. Não no rosto. Ela acenou um adeus com o sorriso maravilhoso que tinha. Viraram a esquina.
Ele baixou os ombros. Tirou a caixa de camurça azul-marinho. Encarou-a inexpressivo. Era a hipérbole criminosa da liberdade talhando-lhe o amor outra vez. Sorriu de lado para a esquina vazia. Jogou a caixa de camurça no lixo. Virou as costas.
Pobre coitado.
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