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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Braile.

Entramos tateando no escuro. Estava cego e rimos juntos. Canelas e dedos mínimos nos guiaram entre os móveis. Estávamos embriagados. E rimos.

Enxergava com os dedos os seus cabelos, e seu rosto e seus lábios. Então com a boca.

O silêncio esticado como as cordas de um instrumento, vibrando e soando com o estalar de beijos rápidos. Não sabia mais onde estávamos.

Minhas mãos corriam de um lado a outro por entre as trevas e das trevas eu não saia. Entrei por sua saia. Havia cadeiras, mesa, geladeira. O frio e o calor eram um só.

Estávamos na cozinha e, embora escuro, o fogo estava aceso.

Aceso em nós e ofegantes.
Passo, passo, passo. Pés, dedos e coxas.
Ela está sobre a mesa. E treme.

Sofá, tapete e chão são um só.
Rolamos pela casa como animais.
Todos os sinais são músculos e dedos entrelaçados.

Somos um conto de paixão escrito em braile.

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