É uma espera impaciente que durará por centenas de horas, em meses a fio.. contadas por um relógio que se move em câmera lenta. Um grilhão maldito e incômodo que me segura numa decrépita sala branca de cerâmica, entre gases putrefatos de ácidos em vasilhames de âmbar e pilhas de papel sem sentido de existência. A claustrofobia me deixa cada dia mais perto da insanidade.
Um comandante charlatão e antipático exigindo tarefas inócuas para preencher uma lacuna profissional de um trabalho que me enoja e esgota minha lucidez; um treinamento tedioso em tardes de ócio para (des)aprender coisas que não me interessam.
E o sistema obriga. Escraviza. O mesmo sistema que resguarda meu futuro. E não posso sair. Estou preso. Encalhado. Exaurido. Não posso sair. E fico calado. Revoltado. Não posso sair. Humilhado. Confinado sem grades. Não posso sair. Arquivado. Empoeirado. Sujo. Não posso sair. Neutralizado numa bureta rachada. Claustrofobicamente enclausurado num balão de 250 mililitros. Com palavras engasgadas na garganta. Não posso sair. Um agravo pronto e ignorado na mão. Um recurso preparado e ensurdecido pelo sistema. Não posso sair. Não há lei que me favoreça. Não há súmula que me liberte. Não posso sair. Injustamente trancado neste obstáculo final, enlouqueço. E não posso sair.
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