Tomei um porre de amor que me deixou bêbado de desejo, de novo. Malditas emoções líquidas, engarrafadas, rotuladas com data de carnaval. Devem ser cancerígenas estas drogas do século XXI, perigosas e sem lei que as regulamente.
Não ao acaso, claro, porque ninguém inventou ainda um desejômetro ou adesivo contra amorcotina.
Minha anatomia arruinada clama por um remédio controlado que diminua os excessos do meu coração e colateralmente impeça a dilatação das pupilas e esfrie a pele.
Me traz uma arrematada e masoquista saudade do uísque 20 anos cuja guerra biológica embrulha minhas entranhas e ressoa na cabeça por um sábado inteiro. Pois a ressaca de amor líquido é pior e mais longa, cria um vácuo na alma, deixa arranhões no estômago - causados pelas borboletas, e aperta os ventrículos cardíacos com crueldade hormonal.
Os estetoscópios poéticos da história diagnosticaram esses sintomas, causados pela paixonite aguda induzida por ingestão de amor líquido pela via oral em situação de aconchego - Vulgo beijo de língua, num abraço apertado.
Doença potente e recorrente, cataporesca, uma vez instalada nunca mais se vai.
Causa alterações de humor e espasmos musculares no rosto - apelidados de sorrisos bobos. Pode gerar calafrios de prazer e dependência...
Deus! Salve-me! Acho que ela me pegou. Ou não. Pode ser só um acesso. Vai passar... Espero que passe. Espero que não... Meu Deus! Vai passar... Foi um porre. Um porre de amor, sim, mas a ressaca de amor também passa.
Sinto que o passado quer tomar o lugar do presente quando te vejo,
ResponderExcluirTudo que parecia não mais existir volta e me vejo aprisionada mais uma vez ao seu seu sorriso, seu olhar...
O passado logo se torna presente e volto novamente para o lugar onde não deveria está
as mesmas dúvidas
as mesmas perguntas que a resposta talvez eu nunca possa encontrar...
São incontáveis as perguntas sem resposta..
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