Páginas

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sementes de Luz



   Era uma vez, uma menina de olhos esverdeados como jade, bonita como uma donzela de história para dormir. Seus cabelos curtos eram como árvores muito jovens, cujos galhos mais baixos eram toca de corujas daquelas redondas e engraçadas. E a menina era diferente, era uma garota que comia luz. Não sabia porquê, mas sempre tinha sido assim, então ela não se perguntava mais. Só havia uma coisa sobre a luz - que era muito gostosa, pra você que quer saber - da qual ela não gostava: a luz tinha sementes. Umas coisas fotônicas e irritantes, como sementes de melancia.
   Mesmo que a luz tivesse um sabor via Lácteo, como um sorvete de creme, frio como os recantos mais longínquos do Universo, as sementes faziam cócegas na língua. Por isso, ela as tirava da boca, rindo-se, e as jogava fora, sem saber que semeava as estrelas que eu amo tanto.
   E assim, como os sóis que nasciam das sementes de creme luminoso... As memórias estrelavam o céu noturno, depois de uma ceia de fotóns e neutrinos que passaram por nós, em meses sem conta, sem que nos déssemos conta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário