Páginas

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sincronia literária



Ruí. Ou ri. Não sei. Essa ruína travessa me parte em dois. Arruína o meu coração com um sarcasmo cínico de uma paixão inexistente. Entre copos de licor dourado e uma vibração musical, relembro um chão fofo e uma brisa fria. Um cochicho feminino que me põe sempre a falar sem pressa, indefinidamente. Sem fim, também. Falo como se minha vida fosse uma história de poucas páginas, um conto infantil que ilustro para fazê-la dormir sonhando com jogos teatrais. Meio envergonhados talvez, percebemos que o resto do mundo fica mudo frente ao nosso diálogo desmedido e destemido.
Tenho por ela um amor puro, meio fraternal, meio literário; desses que vem de outra vida, abençoado por uma mão divina e sorridente. Desses de bater o olho e sincronizar. Uma aura benéfica que esclarece a mente e espanta males. Uma graça infantil que me surpreende de nunca ter sido posta em letras ainda. É um laço fino e firme, que não necessita de proximidade mas que não fraqueja fronte a distância, que deixa um gosto de quero mais na despedida. É um sorriso bonito, de guardar junto de um copo de suco - maracujá gelado, por favor - e um dia de chuva fina. Genialidade ingênua e tênue. Sutilmente escondida aqui, onde todos podem ver.

Nenhum comentário:

Postar um comentário